Austeridade e suavidade; Outono e primavera em minha vida por Eduarda Furtado

Ele chegou no outono e abriu o portal de entrada da minha Perséfone para as profundezas do meu mundo subterrâneo. Mas não a deixou lá sozinha…entregou as pistas para eu encontrar o caminho de volta. Mas antes de sair, era preciso limpar as sujeiras do caminho. Não dava mais pra fingir que não via a bagunça. E limpar dá um trabalhão! Você se suja enquanto limpa, se cansa, se entendia. As vezes ate se acostuma com a sujeira, deita por ali mesmo, se misturando a ela. Mas nesse momento retoma o fôlego e a vontade de ver o Sol e então aquela chama interna se acende e você se levanta para terminar a jornada. E assim foi…5 anos com minha Perséfone acendendo a lanterna, iluminando a escuridão.

E nesse ano ela chega. Vem com a primavera, perfumada. Me entrega a chave da porta por onde minha deusa interior possa sair e fazer os campos florescerem. E essa portal é leve, é suave, é possível para mim.

Ele a austeridade, a intensidade, o guerreiro, o sol. Ela a lua, a suavidade, a delicadeza, a constância!

E esses dois, yin e yang, me relembra da completude que sou, vivendo meus dois lados em equilíbrio. Masculino e feminino, inverno e verão, luz e sombra. Me relembra que nada é linear e para sempre. O tempo é espiral e somos ciclos. E tormentas virão assim como os arco-íris. Mas que sempre há belezas e glórias. Sempre há! E que…vai passar…

Escrito por Eduarda Furtado

Nota de Patricia Dias – O “ele” do texto é o Miguel, primeiro filho da Eduarda, que está com cinco anos. “Ela” é a Pérola, que recém chegou para completar a família. A maternidade é um aprendizado muito complexo, repleto de dores e de amores maiores ainda. E você? Qual é a sua experiência com a maternidade?