Eu tinha cerca de 5 anos. Lembro que estava com minha família na casa de um casal de amigos do meu pai e fui para o quintal brincar com as filhas dele. No meio da brincadeira, me distraí e caí na piscina. Sem saber nadar, me afoguei.

Essa cena ficou registrada em minha mente com muita nitidez. A sensação de tentar gritar e engolir água, o desespero para alcançar a borda, o azul da água… Não tenho ideia de quanto tempo isso durou, parecia uma eternidade. O que sei é que consegui sair da piscina e fiquei por um tempo deitada ali no chão ate algum adulto chegar.

Esse fato foi muito impactante para a criança que fui. Ter me salvado sozinha trouxe a crença de que “viver é perigoso”, “eu estou desprotegida”, “meus pais não podem me salvar”. E como toda crença, essas se reverberaram de varias formas, limitando minha potencia de viver.

Bem, cresci. Hoje tenho meus 2 filhos e num dia bastante quente, descemos todos para a piscina.

Meu filho mais velho de 5 anos estava já dentro d’água quando começa a se afogar.

Nesse instante, quando percebo o que está acontecendo, dou um pulo da cadeira em que estava e, mesmo com minha bebê nos braços, me estico toda e seguro a mãozinha dele e o trago para a borda da piscina.

Nessa hora olho nos seus olhinhos assustados e me vejo, ainda pequena, revivendo a mesma cena de 30 anos atras.

Mas agora estou do outro lado e tenho a oportunidade de trazer a cura para esse sistema.

Nesse dia eu tive a oportunidade de estar presente e atenta e ser a mãe que salva. Fui essa mãe para meu filho e também fui a mãe da minha própria criança.

Pude ressignificar o passado, pude me maternar.

E bem, agora com 2 filhos nos braços eu posso dizer que sim, eu sou, a adulta no comando.

Cada vez mais percebo que olhar a criança que fomos é trazer liberdade para seguir à vida adulta com alegria e confiança na jornada.

Assim, te convido a maternar sua criança interna, cuidar de suas dores e construir, sem pressa e sem pausa, seu caminho de cura.

E para que possamos ser cada vez mais livres, eu hoje eu solto todas as memórias que compartilho com você, leitor. Eu sou amor.

Eu sou grata!